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Rússia sabe quem fez buraco na ISS e a NASA quer respostas

O pequeno buraco que apareceu a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), causou sustos em agosto do ano passado e ainda está gerando polêmica mais de um ano depois. Segundo novos relatórios, a Rússia agora conhece a fonte do buraco, mas não parece que a NASA tenha sido informada sobre. Enquanto conversava com os participantes de uma conferência de ciência da juventude com tema da cosmonáutica, Dmitry Rogozin, chefe da agência espacial russa Roscosmos, revelou que a investigação sobre o incidente foi proveitosa.

O buraco. (Créditos: Reprodução)

“[O buraco] ficava nos alojamentos [da cápsula], já estava lá há muito tempo. Sabemos exatamente o que aconteceu, mas não contaremos nada”, disse Rogozin, conforme relatado pela agência de notícias estatal russa RIA Novosti. “Precisamos manter algum tipo de sigilo”, acrescentou.

O buraco foi descoberto em agosto de 2019, quando os astronautas a bordo da ISS perceberam que estava constantemente perdendo a pressão do ar. Uma busca na estação revelou a fonte – um pequeno orifício de 2 milímetros na espaçonave Soyuz MS-09, a cápsula da Roscosmos usado para transportar astronautas para a ISS. Quando chega, entra no módulo de Rassvet e é usado como alojamento e um bote salva-vidas em potencial até que parte dele retorne à Terra, carregando astronautas cuja missão foi concluída.

Os astronautas taparam o buraco com epóxi e fita, e iniciaram uma investigação, até mesmo conduzindo uma caminhada espacial para inspecionar a parte externa da espaçonave para determinar se o buraco havia sido perfurado por um micrometeoróide – porque se pequenas pedras poderiam perfurar buracos na ISS, isso seria uma informação valiosa.

Mais tarde, foi determinado que o buraco havia sido criado por uma broca, ainda que acidentalmente ou de propósito, ou no chão ou no espaço, ainda não havia sido revelado. O módulo de pouso da espaçonave retornou com segurança à Terra em dezembro de 2018.

A Roscosmos continuou a conduzir sua investigação e a agência RIA Novosti informou que foi um erro cometido durante a fabricação – o que Rogozin rapidamente negou. O que causou o buraco ainda não foi oficialmente revelado. Se os comentários de Rogozin foram ou não explícitos, os resultados da investigação ainda não foram comunicados à NASA, de acordo com o administrador da agência americana Jim Bridenstine.

O relacionamento entre as duas agências espaciais é profundamente importante para a NASA, que encerrou seu próprio programa de ônibus espacial em 2011. Desde então, conta com o programa russo Soyuz para transportar seus astronautas para a ISS, a um custo que varia de US$ 21,3 milhões a US$ 81,9 milhões por astronauta em ida e volta. [ScienceAlert]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.