Planetas

Se há tantos satélites no espaço, por que eles não colidem?

Desde o Sputnik, o primeiro satélite artificial lançado na órbita terrestre, outras milhares de máquinas espaciais foram lançadas acima das nossas cabeças. Elas são responsáveis por levar sinais de GPS, televisão, internet e até registrar dados meteorológicos do nosso planeta. Atualmente, estima-se que 150 mil satélites e pedaços de lixo espacial existam na órbita terrestre, fazendo muitos se perguntarem o por quê de não ouvirmos falar de colisões catastróficas no espaço.

Proporção de satélites e lixo espacial orbitando a Terra. (Créditos: Stuff In Space)

Os satélites são capazes de orbitar ao redor do planeta porque estão travados em velocidades que são rápidas o suficiente para “vencer” a força gravitacional do nosso planeta. Alguns, como é o caso da Estação Espacial Internacional (ISS), viajam a aproximadamente 27.000 km/h.

Um satélite mantém sua órbita equilibrando dois fatores: sua velocidade (a velocidade necessária para viajar em linha reta) e a força gravitacional que a Terra exerce sobre ele. Um satélite que orbita mais perto da Terra exige mais velocidade para resistir à força gravitacional mais forte. Os satélites carregam seu próprio suprimento de combustível, mas, diferentemente de um veículo na Terra, não é usado para manter sua velocidade na órbita. Está reservado para mudar de órbita ou evitar colisão com outros satélites.

Estes equipamentos podem estar presentes em diversas órbitas e em diferentes altitudes. A ISS, por exemplo, orbita a 400 quilômetros de altitude, enquanto outros satélites geoestacionários podem chegar a 36 mil quilômetros. Além do mais, as órbitas podem variar a depender da finalidade do satélite. Dessa forma, as colisões são raras porque, quando um satélite é lançado, ele é colocado em uma órbita projetada para evitar outros satélites, considerando altitudes diferentes e até velocidades distintas.

Exemplos de órbitas diferentes para satélites. (Créditos: Reprodução)

Apesar de todo o cuidado, a chance de colisão existe. Em fevereiro de 2009, por exemplo, dois satélites de comunicação – um americano e um russo – colidiram um com o outro no espaço a cerca de 780 km de altura. Portanto, as chances de dois satélites funcionais colidirem são muito baixas, mas pode acontecer. [NOAA]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.