Planetas

Previsão do tempo espacial revela tempestades em Urano e Netuno

Estações e eventos climáticos não são uma característica exclusiva da Terra. Muitos objetos no Sistema Solar mudam conforme eles se movem ao redor do Sol e enquanto as estações duram meses na Terra, em outros planetas elas podem durar décadas. As sondas espaciais e o Telescópio Espacial Hubble se mantiveram focados nos planetas e o telescópio descobriu recentemente algumas novas características de Urano e Netuno.

À esquerda temos Urano e à direito temos Netuno.

Em observações coletadas nos últimos anos, o Hubble expandiu nosso conhecimento do vórtice polar de Urano e descobriu uma nova tempestade em Netuno. Essas previsões meteorológicas interplanetárias fazem parte do Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL), um projeto de longo prazo que espera entender as mudanças através das décadas nesses dois planetas gigantes.

O vórtice polar de Urano parece uma vasta nuvem brilhante que cobre a maior parte do pólo norte do planeta. Os cientistas planetários acreditam que esta característica única se formou como resultado da extrema inclinação do planeta. Devido a um impacto colossal, o planeta gira quase “deitado”. E por essa razão, durante o verão de Urano, o Sol brilha quase diretamente sobre o pólo norte, sem nunca se pôr.

Urano também ostenta uma nuvem compacta de gelo de metano, visível perto da borda da sua calota polar e uma fina faixa de nuvens ao norte do equador. Não está claro como tais características persistem sem desaparecer, dados os ventos fortes presentes tanto em Urano quanto em Netuno.

Além disso, temos Netuno e sua incrível tempestade escura. A nova, vista pelo Hubble em setembro de 2018, é um sexto e último vórtice escuro visto no planeta. Dois foram descobertos pela sonda Voyager 2 e os demais foram vistos pelo olho agudo do Hubble. O último deles tem 11.000 quilômetros de diâmetro e é acompanhado por nuvens brancas e brilhantes. Estes são formados pelo congelamento de metano.

Ambos os planetas são considerados gigantes do gelo. Eles têm atmosferas espessas e talvez nenhuma superfície sólida. Seus interiores provavelmente são mantos de hidrogênio e/ou hélio em torno de um núcleo rico em água (e talvez até rochoso). O metano presente na atmosfera dispersa a luz do sol de volta ao espaço e dá aos planetas suas cores azuis/verdes características. [IFLS]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.