NASA pode ter destruído provas de vida em Marte

Imagina você viajando para milhões de quilômetros da Terra, apenas para destruir acidentalmente a coisa que você estava procurando? Foi o que pode ter acontecido com a sonda Viking da NASA em Marte, em 1976, que estava à procura de vida. Embora essa teoria tenha sido apresentada antes, um novo artigo publicado no Journal of Geophysical Research Planets acrescenta mais evidências à ideia.

Modelo da sonda.

Modelo da sonda.

A teoria se origina de como a missão Viking buscava sinais de vida. Cada aterrissador estacionário tinha uma colher para recolher o solo, que então esquentava para procurar compostos orgânicos – os blocos de construção da vida. E eles não encontraram nada.

“Surpreendentemente, um instrumento principal a bordo, o GCMS [Cromatógrafo a Gás – Espectrômetro de Massa], não detectou nenhuma matéria orgânica”, escreveram os pesquisadores. “Isso foi uma grande surpresa para os cientistas, que sabiam que o material orgânico poderia ter sido depositado por cometas e meteoritos”, concluíram.

Mais tarde, em 2008, a sonda Phoenix da NASA encontrou sais em Marte chamados perclorato. Isso poderia ter destruído qualquer sinal de matéria orgânica no solo quando a Viking aqueceu suas amostras décadas antes, e as descobertas mais recentes parecem apoiar essa ideia.

Isso vem do lander Curiosity. Há pouco tempo, ficamos sabendo que o rover havia encontrado evidências de moléculas orgânicas em Marte, que a Viking também deveria ter encontrado. O fato faz sugerir que algo deu errado com o experimento.

Analisando os dados da Viking, os pesquisadores disseram que encontraram evidências de uma possível reação entre o perclorato e o clorobenzeno, uma das moléculas orgânicas detectadas pelo Curiosity. Assim, eles sugerem que os landers viking realmente descobriram os blocos de construção da vida todo esse tempo, embora eles notem que não podem descartar completamente a contaminação a bordo da Terra.

“Concluímos que o componente de cloro do clorobenzeno é marciano, e a molécula de carbono do clorobenzeno é consistente com uma origem marciana, embora não possamos descartar totalmente a contaminação de instrumentos”, disseram os pesquisadores.

Se confirmado, isso traria uma grande controvérsia sobre a missão Viking, ou seja, por que não encontrou sinais de vida em Marte. Também significaria que, embora a descoberta da Curiosity tenha sido inovadora, ela foi feita há muito tempo.

Talvez mais importante, sugeriria que os compostos orgânicos estão presentes em Marte em mais de um local. Embora não possamos provar que houve vida passada ou presente, isso indica ainda que Marte já continha todos os ingredientes necessários para a vida. A próxima pergunta, claro, é onde está? [IFLS]

Natural de Conceição do Coité, na Bahia, estudante de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV, trabalha com divulgação científica na internet e é o fundador do projeto Mistérios do Espaço.

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