Incêndio pode ter inutilizado meteoritos do Museu Nacional

O Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro sofreu um incêndio violento na noite do domingo (02/09). As chamas destruíram artefatos de milhares de anos e ainda não se sabe com certeza a proporção da destruição. O museu contava com peças valiosas da história, incluindo meteoritos e o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas. Infelizmente, o fóssil parece ter sido consumido, ao contrário dos meteoritos, que apesar de estarem intactos visualmente, podem ter ficado inúteis para a ciência.

Os meteoritos mais famosos no museu são o Bendegó, caído na Bahia e o maior já encontrado no Brasil e o Santa Luzia, caído no estado de Goiás. Apesar de sofrem altas temperaturas ao entrarem na atmosfera da Terra, na verdade, o calor não flui diretamente para o interior da rocha. E é aí que está o problema: no caso do incêndio, a rocha espacial aquece por inteira, e na entrada na atmosfera o que aquece é apenas a frente do meteoro. O ar superaquecido se transformar em plasma mas flui pela rocha queimando apenas uma fina camada superficial, livrando seu interior das altas temperaturas.

O Bendegó.

No entanto, uma exposição prolongada ao fogo, aquece a rocha como um todo podendo alterar de forma irreversível a sua composição química, podendo até fazê-la explodir devido a expansão de gases e umidade em seu interior. No caso desses meteoritos inteiramente metálicos, o calor prolongado pode destruir completamente a estrutura cristalina transformando-o apenas uma massa de ferro e níquel qualquer.

O Santa Luzia.

Análises visuais indicam que pelo menos o Bendegó está a salvo, por estar próximo da saída do museu e assim enfrentou menos calor. Já o Santa Luzia pode não tido a mesma sorte. No entanto, o que nos resta agora é esperar estudos mais profundos e torcer para que tenham ficado 100% intactos.

Texto adaptado de Carlos Augusto Di Pietro, da BRAMON (Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros).

Natural de Conceição do Coité, na Bahia, estudante de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV, trabalha com divulgação científica na internet e é o fundador do projeto Mistérios do Espaço.

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