Evento astronômico previsto para 2022 não acontecerá mais

Um evento astronômico espetacular que havia sido previsto para 2022 agora não vai acontecer. No início de 2017, cientistas previram que a colisão de duas estrelas na constelação de Cygnus resultaria em um fenômeno raro e maravilhoso a olho nu. E as notícias se espalharam rapidamente, e inclusive noticiamos aqui na Mistérios do Espaço.

As duas estrelas, localizadas a meros 1.800 anos-luz da Terra, estão em uma “dança da morte”. Segundo os pesquisadores, no ano de 2022 – a poucos anos de distância – elas iriam colidir. E não ia ser apenas um pequeno pontinho no céu noturno. Quando o sistema estelar binário KIC 9832227 finalmente se fundisse, produziria uma nova vermelha luminosa – aumentando em brilho 10.000 vezes, o que seria visível da Terra por algum tempo.

Modelo computacional do sistema binário KIC 9832227.

Agora, porém, essa previsão foi rejeitada. Uma equipe de pesquisadores liderada pelo astrônomo Quentin Socia, da San Diego State University, estudou meticulosamente a matemática e chegou a um resultado diferente. E o pesquisador original – o astrônomo Larry Molnar, da Calvin College – concordou com essa nova descoberta.

“A boa ciência faz previsões testáveis”, disse Molnar. O problema foi encontrado com os dados que Molnar e sua equipe usaram para fazer a previsão.

O KIC 9832227 é um sistema fascinante. As duas estrelas estão presas umas às outras com tanta força que levam apenas 11 horas para realizar uma órbita completa. E elas são tão próximas que realmente compartilham partes de suas atmosferas, o que é conhecido como um binário de contato. Também são um binário eclipsante, orientados da maneira que, quando orbitam, eclipsam-se do nosso ponto de vista aqui na Terra.

E a previsão foi baseada nos tempos de luz mínima – isto é, o ponto no meio do eclipse no qual a luz do sistema binário é a mais baixa. Molnar e sua equipe usaram dados do Observatório de Calvin entre 2013 e 2016. Entre 2007 e 2013, eles usaram dados de outros observatórios. Houve uma longa lacuna nos dados antes de 2007, mas em 1999, uma observação foi tomada como parte do Northern Sky Variability Survey.

Socia e sua equipe puseram as mãos em dados de arquivo inéditos de 2003, feitos como parte do Projeto Vulcânico Ames da NASA. E eles descobriram que os eclipses estavam ocorrendo meia hora depois do previsto pela hipótese de Molnar.

O culpado? Um erro de digitação. No artigo que originalmente descreveu os dados de 1999, publicados em 2004, um erro de digitação resultou na deturpação do tempo do eclipse em 12 horas. Este erro foi levado para os cálculos da equipe de Molnar.

Isso não quer dizer que, em algum momento no futuro, o KIC 9832227 não irá se colidir, mas esse ponto não será em 2022. “Esta é sem dúvida a parte mais importante do processo científico. O conhecimento é o que mais progride quando previsões ousadas são feitas, e as pessoas questionam e testam essas previsões”, disse Socia. [ScienceAlert]

Natural de Conceição do Coité, na Bahia, estudante de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV, trabalha com divulgação científica na internet e é o fundador do projeto Mistérios do Espaço.

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