Estrelas

Estruturas nunca antes vistas são encontradas no Sol

Usando exposições mais longas e sofisticadas técnicas de processamento, os cientistas tiraram fotos extraordinariamente de alta confiabilidade da atmosfera externa do Sol – o que chamamos de corona – e descobriram detalhes finos que nunca foram detectados antes.

O Sol é um objeto complexo e, com a missão Parker Solar Probe prestes a ser lançada, estamos prestes a aprender muito mais sobre ele. Mas ainda há muito que podemos fazer com nossa tecnologia atual, como os cientistas do Southwest Research Institute (SWRI) demonstraram.

A equipe usou o instrumento coronógrafo COR-2 no Observatório de Relações Solares e Terrestres da NASA para estudar detalhes na atmosfera externa do Sol. Este instrumento tira imagens da atmosfera usando o que é conhecido como um disco ocultante – um disco colocado na frente da lente que bloqueia o Sol real da imagem e, portanto, a luz que sobrecarregaria os finos detalhes na imagem.

A corona é extremamente quente, muito mais quente do que a fotosfera interna, chegando a 2 milhões de graus Celsius. É também a fonte do vento solar – o fluxo constante de partículas carregadas que sai do Sol em todas as direções.

“No espaço profundo, o vento solar é turbulento e tempestuoso”, diz o físico solar Craig DeForest, da SwRI. Se a turbulência estava ocorrendo na fonte do vento solar – o Sol – então deveríamos ter sido capazes de ver estruturas complexas na coroa como sua causa, mas observações anteriores não mostraram tais estruturas. Em vez disso, mostraram a coroa como uma estrutura laminar e suave. Exceto, como se constatou desta vez. As estruturas estavam lá, mas não conseguimos obter uma resolução de imagem alta o suficiente para vê-las.

Para obter as imagens, a equipe de pesquisa realizou uma campanha especial de três dias em que o instrumento registrou imagens de exposição diferente do que o habitual, permitindo que mais tempo para a luz de fontes fracas seja detectada pelo coronógrafo. Mas isso foi apenas parte do processo.

Embora o disco oculto faça um ótimo trabalho ao filtrar a luz brilhante do Sol, ainda há muito ruído nas imagens resultantes, tanto do espaço ao redor quanto do instrumento. Eles desenvolveram novos algoritmos de filtragem para separar a corona do ruído e ajustar o brilho. E, talvez mais desafiador, corrija o desfoque causado pelo movimento do vento solar.

Descobrir o que é esse fenômeno pode exigir alguma ajuda extra da nova sonda Parker. Até lá, vamos ter que esperar e admira o quanto nosso Sol pode ser misterioso. A sonda será lançada mês que vem. [ScienceAlert]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.