É assim que NASA tira fotos de um planeta a milhares de quilômetros da Terra

O mundo se apaixonou pelas imagens espetaculares de Júpiter que a NASA disponibiliza a cada poucos meses. Mas poucas pessoas sabem que obter essas fotos é um processo longo, complicado e até perigoso. Para levar uma câmera do tamanho de uma caixa de sapato na sonda Juno, ela teria que sobreviver a anos do frio do espaço, sem mencionar o iminente campo magnético do gigante de gás durante seus muitos voos.

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As imagens que são tiradas são enviadas a milhões de quilômetros pelo espaço antes de serem editadas por cientistas em todo o mundo. E inicialmente elas não se parecem exatamente com as lindas versões finais que vemos online.

Para entender melhor como isso acontece, o cientista encarregado da JunoCam irá explicar o processo. Então, como isso funciona? Juno foi lançada do Cabo Canaveral em agosto de 2011, e desde sua chegada a Júpiter em meados de 2016, tem nos impressionado com imagens coloridas do gigante de gás.

A própria câmera é chamada de JunoCam – a única câmera visível a cores a bordo de uma espaçonave cheia de sensores e máquinas. “Você definitivamente não poderia comprar esta câmera em uma loja”, explica Candice Hansen-Koharcheck, pesquisadora e líder de Instrumento da JunoCam.

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Juno faz um sobrevoo aproximadamente a cada dois meses desde que chegou em Júpiter, onde sua órbita elíptica a leva a cerca de 4.200 quilômetros antes de voar de volta a 8,1 milhões de quilômetros do planeta. Em cada sobrevoo, o JunoCam pode fazer entre 12 e 20 imagens.

Isso pode não parecer muito, mas enviar as imagens em pelo menos 600 milhões de quilômetros de espaço não é fácil. Através dessas distâncias, pode levar uma hora ou mais até mesmo para o mais ínfimo bit de informação chegar à Terra. A transferência pode levar alguns dias para ser concluída, contanto que tudo ocorra nos conformes.

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Para efeitos de comparação, um satélite na órbita de Marte, por exemplo, transfere arquivos para a Terra a uma velocidade de 500 bits a 32 kbps. É uma velocidade muito semelhante quando um pacote 3G acaba e a velocidade é reduzida. Apesar de não termos dados referentes especialmente a Sonda Juno, a velocidade não deve ser muito diferente.

E quando as imagens chegam a Terra, elas passam por um processamento que pode variar entre uma hora e até 12 horas ou mais, dependendo da complexidade da foto.

Uma notícia boa é que a NASA a estendeu a missão Juno por pelo menos mais três anos, já que estava prevista para acabar no próximo mês. E assim, em breve teremos mais imagens incríveis. [ScienceAlert]

 

Natural de Conceição do Coité, na Bahia, estudante de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV, trabalha com divulgação científica na internet e é o fundador do projeto Mistérios do Espaço.

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