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Cratera marciana já foi um lago salgado, revela estudo

De sua superfície vermelha e áspera, Marte parece um planeta sem vida, seco e desolado. Mas nem sempre foi esse o caso. O Rover Curiosity, da NASA agora coletou ainda mais evidências de um antigo lago salgado que uma vez existiu as margens da cratera Gale há cerca de 3,7 bilhões de anos.

(Créditos: Reprodução)

Analisando amostras de solo coletadas no leito rochoso da cratera, pesquisadores da Caltech descobriram uma gama diversificada de sais não observados em outras rochas em Marte. Datado aproximadamente 3,3 a 3,7 bilhões de anos atrás, a equipe propõe que estes sulfatos foram deixados pela água evaporada, indicando a existência de um lago antigo.

As observações de satélite do Planeta Vermelho certamente sugerem que durante esse período de tempo, conhecido como período hesperiano, ocorreu algum tipo de transição climática. E agora, a descoberta de sais evaporados também indica uma mudança para um clima mais árido em uma linha do tempo semelhante.

Prevê-se que os sulfatos de cálcio e magnésio descobertos sejam provenientes de basaltos marcianos, produzindo solos ricos em sulfato e cloreto e pobres em ferro. “A solubilidade relativamente baixa dos minerais de sulfato de cálcio resulta em sua produção generalizada durante a evaporação”, explicam os pesquisadores, “enquanto os minerais menos comuns de sulfato de magnésio e cloreto representam evaporação já no fim”.

Outros exemplos desses lagos hipersalinos são conhecidos por abrigar seres vivos tolerante ao sal na Terra. Portanto, após esses resultados, a busca por vida na cratera Gale, sem dúvida, continuará. Formada por um meteoro há cerca de 3,5 a 3,8 bilhões de anos atrás, a Gale foi escolhida como o local de pouso do Curiosity porque os cientistas suspeitavam, mesmo de longe, que era um leito de lago seco.

Acontece que não foi um palpite tão longe da realidade. Desde que aterrissou, as descobertas do Curiosity apoiaram fortemente a hipótese do lago. Em 2013, a NASA anunciou que uma vez a cratera Gale continha um antigo lago de água doce que poderia ter vida microbiana. E nos anos seguintes, os cientistas notaram ainda mais pistas de lagos e córregos no Planeta Vermelho.

No entanto, é a primeira vez que um leito rochoso enriquecido com sulfato é descoberto na cratera. Como tal, ele nos fornece algumas pistas necessárias sobre como Marte pode ter perdido sua água há muito, muito tempo. À medida que o veículo espacial percorre as margens da cratera, avançando em direção a rochas cada vez mais recentes, os cientistas serão capazes de rastrear as origens desse lago ainda mais profundamente.

Se os sais continuarem a serem achados, os pesquisadores da Caltech dizem que isso provavelmente indica que eles foram depositados em vários estágios diferentes. Considerando que, se o leito enriquecido com sulfato começar a diminuir, isso poderia implicar uma secagem mais longa do Planeta Vermelho em todos esses bilhões de anos atrás. [ScienceAlert]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.