Planetas

Cadê as estrelas?

Ao alcançar o espaço e além, a humanidade conseguiu fazer registros impressionantes de visões que jamais foram vistas em nossa história. Desde fotos acima do nosso planeta à registros na superfície da Lua, conseguimos ter perspectivas incríveis do espaço sideral. No entanto, algo incomoda as pessoas em todas essas imagens e fazem as mesmas questionarem: “Cadê as estrelas?”.

Dada a enorme quantidade de estrelas que temos apenas em nossa galáxia Via Láctea – um número que chega a 200 bilhões – era de se imaginar que milhares delas seriam visíveis nas fotos registradas no espaço, mas isso não é o caso. As fotos que as agências divulgam sempre mostram o fundo cósmico preto sem quaisquer pontinho estelar. Estariam a NASA, ESA ou a JAXA criando essas imagens digitalmente? A resposta curta é não.

Para descobrirmos onde estão as estrelas precisamos entender dois pontos das câmeras: exposição e luminosidade. Existe um mecanismo nas câmeras chamado “Diafragma“, ele regula diretamente à entrada da luz que vai chegar ao sensor, que por sua vez estará ligado ao brilho final na foto. Em suma, esse mecanismo funciona como uma janela, quando ele abre, mais luz entra e quando fecha, menos luz entra.

Níveis de abertura do diafragma.

Existe também o “Obturador“, que apesar de representar praticamente a mesma função, muda no funcionamento. Enquanto o Diafragma está ligado a quantidade de luz que entra para o sensor, o Obturador diz quanto tempo a luz vai entrar para ele.

Geralmente, quando você ativa a função automático da câmera, ela vai regular o obturador para a maior entrada de luz quando você for tirar fotos em ambientes escuros, o inverso acontece em ambientes claros, onde ele irá permitir a menor entrada de luz para compensar o alto nível de claridade. Por sua vez, quando queremos registrar as estrelas no céu, devemos aumentar a exposição à luz ao máximo, já que o brilho delas é fraco.

Na Lua, por exemplo, os astronautas mantinham as câmeras o menor nível de exposição possível. A superfície lunar funciona como um espelho para a luz do Sol, fazendo com que o lugar seja muito iluminado. Dessa forma, com o nível de exposição à luz no mínimo, os astronautas não registraram as estrelas, pois o objetivo era realmente filmar os detalhes da Lua. Se eles tivessem, mesmo assim, colocado a exposição no máximo aquela luz toda do nosso satélite entraria para o sensor e a foto ficaria como um borrão branco.

Assim sairia a imagem na Lua se a exposição não fosse ajustada.

Isso não só vale para as fotos na Lua. As imagens registradas da Terra na Estação Espacial Internacional também passam por essa configuração e as tiradas por sondas em todo o sistema solar também.

Ainda acha que é tudo criado digitalmente? Faça o seguinte teste: vá na câmera do seu celular e ative o modo manual, aumente os níveis de abertura, exposição ou brilho e tente tirar uma foto na luz do Sol. O que provavelmente vai acontecer é que sua foto ficará branca e você não registrará nenhum detalhe. E é por isso que há essa regulação nos níveis de luz em fotos tiradas no espaço.

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