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Aurora em Júpiter está agindo de uma forma totalmente estranha

Algo está errado com as auroras de Júpiter. Embora sejam observadas em ambos os pólos, as auroras de raios-X só foram encontradas uniformemente no norte. Mas agora, um novo estudo revelou uma aurora de raios-X do Sul e estranhamente, ela age de forma independente da sua contraparte do norte.

Os cientistas estão com uma pulga atrás da orelha em relação aos mecanismos pelos quais esses gloriosos sinais de luz são produzidos em Júpiter. E em este novo artigo, liderado por cientistas planetários do University College London (UCL), traz mais perguntas do que respostas.

Imagem em Infravermelho da Aurora do Sul de Júpiter.
Imagem em Infravermelho da Aurora do Sul de Júpiter.

“Como Jupiter produz as auroras brilhantes, energéticas e dinâmicas enquanto seu irmão, Saturno, não?”, disse William Dunn, um astrofísico da UCL. Dunn descreveu a descoberta da aurora do sul como “confusa” e, embora ele e sua equipe tenham várias idéias sobre como isso aconteça, eles esperam que a missão Juno acabe por ajudar a resolver o mistério.

A Auroras na Terra, por exemplo, seja ela mais próxima do Ártico ou da Antártica, são geralmente muito mais fracas do que as de Júpiter, e elas são formadas por meio de um mecanismo diferente.

Quando os campos elétricos extremamente energéticos se acumulam ao longo das linhas de campo magnético da Terra, os elétrons são rapidamente acelerados para o solo. Quando eles colidem com moléculas na atmosfera, eles se tornam energeticamente “excitados” – e quando se acalmam novamente, eles liberam fótons que nos aparecem como auroras.

Nós podemos realmente dizer quais moléculas foram atingidas com base na cor das auroras. O oxigênio obtém tons verde/amarelo e o nitrogênio produz mais tons vermelhos/violetas, por exemplo.

Júpiter é, em todos os aspectos, muito mais estranho . Ao contrário do nosso – que vemos na parte visível do espectro eletromagnético – tanto as luzes do norte quanto do sul são dominadas por raios-X. “Para fazer essas auroras de raios-X, o planeta precisa acelerar os íons de oxigênio a 5.000 quilômetros por segundo, o suficiente para remover completamente o oxigênio de todos os seus elétrons”, explicou Dunn.

Os campos elétricos perto dos pólos de Júpiter são cerca de 30 vezes mais fortes do que os da Terra. Entretanto, estranhamente, as auroras não parecem aparecer à sua volta, o que sugere que eles não as causam.

Foi proposto que ondulações na atmosfera de Júpiter permitam que os elétrons acelerassem o suficiente para causar auroras. Isso geralmente é considerado um resultado da rotação do planeta, mas também foi observado de forma proeminente em 1991, quando o impacto catastrófico Cometa Shoemaker-Levy 9 enviou ondas de choque através da atmosfera.

No entanto, essas idéias não explicam adequadamente o tempo preciso dos pulsos de raios-X, nem elucidam por que eles são tão incrivelmente enérgicos. Só o tempo dirá se eles estão corretos, mas até então, Júpiter continuará sendo o maior enigma planetário do Sistema Solar. [IFLS]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.