Planetas

A NASA possui um pequeno segredo sujo, literalmente

Uma sala limpa é uma área fechada onde contaminantes e poluentes são monitorados e regulados de perto. É onde os foguetes são descontaminados antes de se dirigirem ao espaço e as amostras espaciais são armazenadas para que os resultados de qualquer experimento ou análise posterior não sejam comprometidos pela presença de micróbios terrestres.

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O Johnson Space Center (JSC) da NASA em Houston, Texas, tem uma sala limpa com classificação ISO de classe 6 (classe 1 é a mais limpa e classe 9 é a mais suja) usada para armazenar meteoritos antárticos vindos de outros planetas. Está atualmente em preparação para receber amostras de Marte e do asteroide de Bennu.

Mas acontece que essa sala limpa não é tão limpa. Cotonetes do chão e bancada de trabalho revelam que o JSC foi contaminado por uma infestação de fungos sorrateira.

Os pesquisadores descobriram entre quatro e 28 células em áreas não maiores que uma foto 3×4. A infestação era ainda maior dentro de um filtro de ar de bombeamento de nitrogênio que não foi aberto por quase 40 anos. Felizmente, isso ocorreu apenas nas partes externas do filtro, por isso é improvável que ele infecte qualquer um dos meteoritos, que são armazenados em gabinetes cheios de nitrogênio e protegidos por várias outras defesas.

Além do lado de fora do filtro de ar, o nível de micróbios terrestres no centro está a par com os de outras salas limpas, incluindo o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, e o Centro Espacial Kennedy, na Flórida. No entanto, a maior parte dos micróbios nesses outros centros eram bactérias.

No JSC, entre 83 e 97% dos micróbios no laboratório de meteoritos eram fungos, especificamente do gênero Penicillium . Isso é problemático porque os fungos poderiam facilmente infectar as amostras e ajustar a composição química dos meteoritos, distorcendo potencialmente quaisquer experimentos ou análises que depois ocorram.

“Eu caracterizaria os resultados como reveladores”, disse Marc Fries, que faz a curadoria da coleção de poeira cósmica no JSC. “Isso leva a crer que os fungos são uma parte importante da contaminação microbiana”, concluiu ela. [IFLS]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.