Astrobiologia

Sonda pode ter fotografado vida na superfície de Marte

Dos rovers e landers da NASA uma questão sobre o Planeta Vermelho permanece, infelizmente, sem resposta: existe vida em Marte? Agora, um artigo de revisão controversa afirmou que a resposta é sim. E definitivamente vai começar um grande debate. O artigo inclui imagens tiradas por Curiosity e Opportunity do que os pesquisadores estão chamando de fungos, liquens e algas que crescem em Marte. Então, há realmente cogumelos crescendo em Marte, como alguns estão relatando?

Cogumelos em Marte? (Crédito: NASA/Opportunity)

O papel, intitulado Evidence of Life on Mars? foi publicado na primeira edição do Journal of Astrobiology and Space Science Reviews, e examina quase 200 estudos revisados ​​por pares debatendo estruturas curiosas, mudanças sazonais no metano e a possibilidade de que a vida tenha viajado entre planetas. O próprio jornal chama a evidência controversa e teve seis cientistas independentes e oito editores seniores que revisaram, três dos quais rejeitaram. Mais do que controversa, as evidências do artigo são circunstanciais, um fato que é admitido na conclusão.

A posição oficial da revista é “A “evidência” não é prova e não há prova de vida em Marte”, e que as evidências (ou seja, as imagens) listadas no artigo podem ser causadas por algo diferente da vida. Os pesquisadores discordam fortemente.

“Nosso artigo, Evidence of Life on Mars?, não se baseia em nossa opinião”, disse a co-autora do estudo, Regina Dass, da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Pondicherry. “Nós revisamos quase 200 pesquisas conduzidas por mais de 500 cientistas, muitos dos quais trabalham na NASA; e todo esse trabalho coletivamente pesa a favor da biologia”, disse ela.

Os pesquisadores dizem que essa imagem do robô Opportunity pode ser de fungos marcianos. (Créditos: NASA)

O debate sobre essa evidência vem sendo travado há décadas, já que os landers Viking da NASA aterrissaram em Marte em 1976 e realizaram dois testes em busca de resultados biológicos em seu solo. O primeiro teste voltou positivo, enquanto um teste de acompanhamento, uma semana depois, voltou negativo. Existem explicações biológicas e geológicas para essa curiosa discrepância.

Esta nova pesquisa carece de consistência em dois pontos específicos. A primeira é uma inconsistência na perícia no campo. Por um lado, argumenta como é vital que um grande número de especialistas concorde que essas formações incomuns identificadas pelos robôs Opportunity e Curiosity são evidências de líquens e cogumelos. Por outro lado, também rejeita um grande número de especialistas que eram céticos em relação às descobertas biológicas dos Vikings, ou discordam que fungos complexos poderiam viver em Marte hoje.

A segunda questão refere-se a uma possível conexão com a Terra. No artigo, os pesquisadores sugerem que a vida na Terra poderia ter viajado para Marte. O argumento deles baseia-se em como certos lugares marcianos parecem semelhantes aos objetos de origem biológica da Terra. Mas quando perguntados sobre como essa vida poderia não apenas sobreviver, mas prosperar em um mundo gelado sem água ou oxigênio, seu argumento é: “Marte é um mundo alienígena, e qualquer vida em Marte pode ter desenvolvido características alienígenas únicas que lhes permitem para sobreviver”.

O ponto de oxigênio é particularmente complicado. Não são certos micróbios que podem viver feliz sem oxigênio, água limitado, e até mesmo sobreviver sendo bombardeado por radiação. Mas se pensarmos em vida complexa, precisamos lembrar que apenas três espécies multicelulares foram observadas vivendo sem oxigênio na Terra, e elas são microscópicas. Não como estes cogumelos marcianos “gigantescos” que foram fotografados por um rover.

Em conclusão, não há prova definitiva. Nós não sabemos, apenas muitas evidências que gritam: precisamos de mais observações. [IFLS]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.