Novo telescópio poderá desvendar mistério envolvendo este objeto

Em pouco mais de um ano, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) será lançado e começará suas observações sobre o cosmos. Mas o trabalho de preparação sobre a missão científica já começou e os astrônomos estão entusiasmados com o que podem descobrir. Um grupo em particular espera que finalmente destrave os segredos das anãs marrons.

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As anãs marrons são muitas vezes referidas como estrelas fracassadas. São objetos grandes, cerca de 70 vezes a massa de Júpiter, muito grande para serem planetas, mas não suficientemente grandes para iniciar a fusão nuclear e se tornar estrelas. O pesquisador da Universidade de Montréal, o Étienne Artigau, está liderando uma equipe para usar o JWST para estudar uma anã marrom especial.

O objeto é conhecido como SIMP0136 e está a apenas 20 anos-luz da Terra. Também está sozinho no universo, sem estrela companheira, tornando-o ideal para observações. Mas devido aos efeitos trapeçosos da atmosfera, os telescópios terrestres têm lutado para formar uma imagem completa do objeto com base em seu espectro de luz.

“Medições espectroscópicas muito precisas são difíceis de obter a partir do solo no infravermelho devido à absorção variável em nossa própria atmosfera, daí a necessidade de observação infravermelha no espaço”, explicou Artigau. “Além disso, o Webb nos permite testar recursos que são inacessíveis do solo a esse nível de precisão”, concluiu.

O objetivo deste projeto é descobrir se as anãs marrons se formam como estrelas, através do colapso de nuvens de gás, ou como planetas, por acréscimo de material ao longo do tempo. SIMP0136 pode ser o alvo perfeito para esta pesquisa. Parece uma anã marrom, mas parece ser muito mais leve – cerca de 13 vezes a massa de Júpiter. No entanto, existe a chance de SIMP0136 não ser uma anã marrom, mas um planeta errante, expulso de um sistema estelar há algum tempo. Seu espectro também mostra variações que foram interpretadas como nuvens.

“A anã marrom SIMP0136 tem a mesma temperatura que vários planetas que serão observados em espectroscopia de trânsito com Webb, e as nuvens são conhecidas por afetar esse tipo de medida; nossas observações nos ajudarão a entender melhor as nuvens em anãs marrons e atmosferas planetárias em geral”, acrescentou Artigau.

As novas observações esperam esclarecer a verdadeira natureza do SIMP0136. Espera-se que o JWST seja lançado entre março e junho de 2019. [IFLS]

Sou natural de Conceição do Coité, na Bahia e atualmente trabalho com a divulgação científica na internet, principalmente nas páginas Universo Racionalista e Mistérios do Espaço.

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