Exoplanetas

Segundo planeta deve existir na estrela mais próxima do Sol

Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, pode abrigar um segundo planeta. Os astrônomos anunciaram esse mundo provável pela primeira vez em abril de 2019, com base em observações e análises que ainda não haviam sido publicadas ou revisadas por pares.

Agora, analisado e reforçado por dados adicionais, o novo estudo que relata a descoberta em potencial na revista Science Advances. No entanto, a certeza ainda é ilusória – o planeta ainda pode ser apenas uma miragem.

Impressão artístico do sistema planetário em Proxima Centauri. (Créditos: Lorenzo Santinelli)

“Desde a primeira vez que vimos esse provável planeta, tentamos ser seus piores inimigos”, diz Fabio Del Sordo, astrônomo da Universidade de Creta, na Grécia, que liderou o estudo, junto com seu colega Mario Damasso do Observatório Astrofísico de Turim, na Itália. “Tentamos diferentes ferramentas para provar que estávamos errados, mas falhamos. No entanto, temos que manter as portas abertas a todas as dúvidas e ceticismos possíveis”, concluiu.

Os elementos essenciais do Proxima c permanecem pouco alterados em relação ao estudo anterior. Circulando em uma órbita de aproximadamente 1.900 dias ao redor de Proxima Centauri, o planeta seria uma esfera congelada, envolta em gás, talvez seis a oito vezes mais massivo que o nosso próprio planeta – a chamada super Terra, embora provavelmente assemelhe-se mais a um “mini Netuno”.

O planeta pode abrigar um amplo sistema de anéis e seria companheiro de um mundo menor, mais próximo e mais parecido com a Terra – o Proxima b – que, em 2016, foi descoberto na zona habitável da estrela, a região na qual a luz da estrela permite que a água líquida persista na superfície do astro.

A melhor evidência para a existência do Proxima c é decididamente instável. Primeiramente, os planetas podem aparecer através dos puxões gravitacionais que transmitem às estrelas, puxando uma estrela-mãe em direção à Terra e afastando-a dela enquanto se movem em sua órbita.

Rastreada ao longo do tempo, essa assinatura gravitacional se manifesta como uma oscilação estelar reveladora – que se registra como uma oscilação entre as extremidades vermelha e azul do espectro de uma estrela. A repetição de uma oscilação mostra o período orbital de um planeta. Os planetas gigantes, por exemplo, que orbitam incrivelmente mais perto de suas estrelas criam enormes e óbvias oscilações, mas o desvio estelar produzido por algo muito menor e mais distante é tão lento e sutil que apenas um conjuntos de dados de vários anos pode prová-lo.

A suposta oscilação atribuída a Proxima c é uma mudança de aproximadamente um metro por segundo na posição de Proxima Centauri, estendida pela órbita de cinco anos proposta pelo planeta candidato. Para distingui-lo, foram necessárias duas décadas de medições de dois instrumentos, o HARPS e os espectrômetros Ultravioleta e Visual Echelle Spectrograph (UVES), no Chile.

O problema é que muitas outras coisas – manchas estelares e outras formas de atividade estelar, bem como pequenas instabilidades dentro da óptica de um instrumento ligado à Terra – podem imitar um movimento tão minúsculo.

No final, seja o mundo real ou imaginário, a maior lição de Proxima c pode dizer respeito à evolução da caça ao planeta aqui na Terra. Embora os astrônomos já tenham descoberto milhares de planetas em torno de outras estrelas, descobrir os planetas escondidos continua sendo, por enquanto, uma tarefa assustadora e árdua.

Considere que o esforço de décadas para encontrar e confirmar apenas um mundo, o Proxima c, já consumiu trabalho humano incalculável e lotes significativos de tempo de observação ferozmente contestado em muitos dos telescópios e instrumentos mais avançados da Terra – com um resultado ainda incerto.

E Proxima Centauri é o nosso vizinho mais próximo em um imenso universo. Como não podemos nos encantar com isso?

Traduzido e adaptado de Scientific American
Por Lee Billings

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