Este objeto foi fotografado a 1000 anos-luz da Terra

De vez em quando, estrelas de nêutrons fazem algo muito, muito estranho. A taxa de sua rotação muda absurdamente. Isso é chamado de glitching, e não sabemos o que o causa – mas agora os astrônomos o observaram pela primeira vez usando um radiotelescópio.

O objeto em questão, ou a estrela de nêutrons é chamada de Pulsar de Vela e está a cerca de 1.000 anos-luz da Terra. Na verdade, foi a primeira estrela de nêutrons “defeituosa” já identificada. Desde então, muitas falhas foram observadas – embora nunca antes com um radiotelescópio.

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Isto é excelente porque as observações do telescópio de rádio foram capazes de nos dizer sobre a dinâmica interior do Pulsar de Vela enquanto ele falhava. Aguardando a falha, a equipe de pesquisadores monitorou a estrela por quatro anos com o Observatório de Rádio Mount Pleasant, na Tasmânia, e o Observatório Ceduna, no sul da Austrália.

“Sabíamos que uma falha acontece a cada três anos, mas, como um terremoto, ninguém pode prever uma”, disse Jim Palfreyman, candidato a PhD e astrofísico na Universidade da Tasmânia, na Austrália. “Nós sabíamos que se pudéssemos capturar a falha e os pulsos individuais, isso nos forneceria uma riqueza de informações, incluindo como a matéria se comporta em temperaturas e pressões extremas”, concluiu ele.

As estrelas de nêutrons são o que restou do núcleo de uma estrela que morreu após ser supernova. Por sua vez, os pulsares são estrelas de nêutrons altamente magnetizadas com uma taxa de rotação extraordinariamente rápida, que emitem jatos de radiação eletromagnéticos à medida que giram. Se esses jatos estão alinhados corretamente com a Terra, podemos vê-lo como um farol cósmico.

Mas o que faz os pulsares falharem é um mistério. Uma hipótese é o estresse entre a rígida crosta externa da estrela de nêutrons e seu núcleo superfluido. Outra é que bilhões de vórtices sub-superficiais no superfluido que conectam o núcleo à crosta se tornam desalinhados e deslocados, fazendo com que a estrela de nêutrons acelere.

O dados da equipe acabaram sendo consistidos com essa hipótese. Eles coletaram 640MB a cada 10 segundos por 19 horas por dia, e 3 petabytes no total. [ScienceAlert]

Natural de Conceição do Coité, na Bahia, estudante de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV, trabalha com divulgação científica na internet e é o fundador do projeto Mistérios do Espaço.

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