Planetas

Este meteorito raríssimo guarda um segredo de bilhões de anos

E se o nosso Sistema Solar tivesse outra geração de planetas que se formaram antes ou ao lado dos planetas que temos hoje? Um novo estudo publicado na revista Nature Communications em 17 de abril de 2018 apresenta evidências que dizem que foi o que aconteceu. Os planetas de primeira geração, ou planeta, teriam sido destruídos durante colisões nos primeiros dias do Sistema Solar.

Esta não é uma nova teoria, mas um novo estudo que traz novas evidências para apoiá-la. A evidência está na forma de um meteorito que colidiu com o deserto núbio do Sudão em 2008. O meteorito é conhecido como 2008 TC3, ou o meteorito Almahata Sitta. Dentro do meteorito estão minúsculos cristais chamados nanodiamantes que, de acordo com este estudo, só poderiam ter se formado nas condições de alta pressão dentro do crescimento de um planeta.

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Modelos de formação planetária mostram que os planetas terrestres são formados pela acreção de corpos menores em corpos maiores. Siga o processo por tempo suficiente e você acabará com planetas como a Terra. Os corpos menores que se unem geralmente estão entre o tamanho da Lua e Marte. Mas a evidência desses corpos menores é difícil de encontrar.

Um tipo de meteorito único e raro, chamado ureilita, poderia fornecer a evidência para apoiar os modelos, e foi isso que caiu na Terra no Deserto da Núbia em 2008. Acredita-se que os ureilitos sejam os remanescentes de um planeta perdido que foi formado nos primeiros 10 milhões de anos do Sistema Solar, e depois foi destruído em uma colisão.

Ureilites são diferentes de outros meteoritos rochosos. Eles têm um componente mais alto de carbono que outros meteoritos, principalmente na forma dos nanodiamantes acima mencionados. Pesquisadores da Suíça, França e Alemanha examinaram os diamantes dentro do 2008 TC3 e determinaram que eles provavelmente se formaram em um pequeno proto-planeta cerca de 4,55 bilhões de anos atrás.

Philippe Gillet, um dos co-autores do estudo, disse em entrevista: “Nós demonstramos que esses grandes diamantes não podem ser o resultado de um choque, mas sim de um crescimento que ocorreu dentro de um planeta”.

Resumindo, isso apoia a ideia de que um pequeno planeta entre o tamanho de Mercúrio e Marte foi formado nos primeiros 10 milhões de anos do Sistema Solar. Dentro desse corpo, grandes nanodiamantes foram formados por um crescimento de alta pressão.

É uma peça intrigante de evidência e se encaixa com o que sabemos sobre a formação e evolução do nosso Sistema Solar. [UniverseToday]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.