Astrofísica

Cientistas divulgam a primeira foto de um buraco negro

Ver um buraco negro é um dos principais desejos de muitos astrônomos, mas agora, graças aos projetos do Horizon Event Telescope (EHT), isso deixou de ser apenas um sonho. Para tornar possível a imagem do horizonte de eventos do buraco negro da galáxia M87, muitos pesquisadores e tecnologias de ponta foram mobilizados, porque obter uma imagem de um buraco negro não é tão fácil quanto tirar uma foto com uma câmera comum.

A dificuldade já começa na visibilidade de um buraco negro, já que são literalmente invisíveis. A força de sua gravidade é tão grande que, além de certo ponto, nada escapa. Isso inclui a radiação eletromagnética – como raios-X, infravermelho, luz e ondas de rádio – que nos permitiria detectar diretamente o objeto. Esse ponto sem retorno é chamado de horizonte de eventos e, além de ser um local aterrorizante no qual você nunca quer chegar perto, também foi a chave para visualizá-lo de fato.

Agora, graças ao Event Horizon Telescope (EHT), os cientistas coletaram dados suficientes para registrar a primeira imagem de um buraco negro da história. O EHT foi a junção de vários telescópios ao redor da Terra, que ao compilar todos os seus dados, foram capazes de criar um telescópio com um diâmetro equivalente a todo o nosso planeta.

A primeira imagem de um buraco negro. (Créditos: Telescópio de Horizonte de Eventos – EHT)

A sombra de um buraco negro vista aqui é o mais próximo que podemos chegar de uma imagem do próprio buraco negro, um objeto completamente escuro do qual a luz não pode escapar. O limite desse monstro cósmico – o horizonte de eventos do qual o EHT leva seu nome – é cerca de 2,5 vezes menor que a sombra que ele projeta e mede pouco menos de 40 bilhões de quilômetros de diâmetro.

Embora os telescópios que compõem o EHT não estejam conectados fisicamente, eles são capazes de sincronizar seus dados gravados. Estas observações foram coletadas em um comprimento de onda de 1,3 mm durante uma campanha global de observação em 2017. Cada telescópio do EHT produziu enormes quantidades de dados – aproximadamente 350 terabytes por dia – que foram armazenados em discos rígidos cheios de hélio de alto desempenho. [ESO]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.