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Telescópio Hubble captura foto rara de asteroide auto-destrutivo

Se um asteroide se desintegra no espaço e ninguém está por perto para ouvi-lo, afinal, porque não há ar. Mas pode ser registrado em uma foto impressionante.

Duas estreitas caudas de detritos semelhantes a cometas, vindas de um asteroide conhecido como 6478 Gault, foram capturadas a partir de telescópios terrestres e em instalações espaciais, incluindo o Telescópio Espacial Hubble. As caudas indicam que o material do objeto está sendo liberado no espaço, o que mostra, de acordo com os astrônomos, que o asteroide está sofrendo autodestruição.

Na imagem há duas caudadas semelhantes a cometas saindo do asteroide. (Créditos: NASA/ESA/Universidade do Havaí/European Southern Observatory)

Com cerca de 4 quilômetros de extensão, Gault foi descoberto em 1988, mas só recentemente se tornou um dos poucos asteroides que já foram submetidos ao torque YORP, um processo em que a luz solar aquece a superfície de um asteroide e libera radiação infravermelha. O calor e o momento que são liberados causam uma pequena força que faz o asteroide girar mais rápido. Se a força centrífuga supera a gravidade, o asteroide torna-se instável e os deslizamentos de terra no objeto espacial podem liberar entulho no espaço como as caudas vistas na foto de Gault.

O evento “raro” foi detectado pela primeira vez por um sistema de alerta no Havaí, projetado para fornecer dados de possíveis impactores da Terra. Depois de analisar os dados, os pesquisadores descobriram que a cauda maior do asteroide foi documentada pela primeira vez em dezembro de 2018 por vários telescópios em todo o mundo. Os cientistas usaram para deduzir que o asteroide está girando em intervalos de duas horas.

“O interessante em uma rotação de duas horas é a velocidade com que a força centrífuga consegue equilibrar a gravidade”, explicou Jan Kleyna, auto principal do estudo. “Nossa hipótese é que essa coisa girou até a gravidade ser enfraquecida pela força centrífuga, momento em que o objeto experimenta esses deslizamentos de terra que lançam poeira no espaço”, concluiu.

Olivier Hainaut, astrônomo do European Southern Observatory, disse que o futuro a longo prazo de Gault é desconhecido. Ele pode se desintegrar em dois grandes pedaços, ou os escombros podem se juntar novamente sob sua própria gravidade, formando um asteroide recém-formado. E dado o número de asteroides no sistema solar, Kleyna, Hainaut e seus colegas agora esperam que os telescópios, que estão melhorando cada vez mais, vejam mais dados sobre esse corpo auto-destrutivo. [IFLS]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.