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Conheça a anomalia magnética localizada acima da América do Sul

O campo magnético da Terra é gerado no núcleo externo, onde é mais frio e átomos de ferro eletricamente carregados conseguem se mover por convecção, e essa carga elétrica em movimento produz a proteção magnética. Ela é responsável pela nossa proteção dos ventos solares e radiação cósmica que podem nocivas aos seres vivos.  O campo cobre praticamente todo o planeta ao modo de formar uma espécie de escudo em volta da Terra.

Observações indicam que essa proteção está longe de ser perfeita, existindo pontos na órbita terrestre que o campo magnético simplesmente enfraquece, permitindo a entrada maior de partículas provenientes do Sol – o que pode prejudicar satélites e equipamentos eletrônicos em geral. Uma das mais impressionantes imperfeições é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), localizada bem acima do Brasil e consequentemente da América do Sul também, onde a intensidade de radiação é mais alta nesta região do que em qualquer outra.

As áreas vermelhas são locais onde o campo magnético é mais forte, enquanto as áreas azuis represtam regiões fracas. A anomalia é visível acima da América do Sul. (Créditos: SWARM)

“A anomalia ocupa parte significativa do sul do Atlântico e da América do Sul, sendo a mais importante registrada atualmente”, disse o professor Ricardo Trindade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) ao Jornal USP.  “Ela facilita a entrada de partículas carregadas do vento solar de fora da Terra, o que aumenta o perigo de acidentes envolvendo satélites artificiais em órbita, voos espaciais e intercontinentais”, ressaltou.

Embora os efeitos na superfície sejam mínimos, já que a atmosfera bloqueia maior parte da radiação, os efeitos práticos da anomalia no espaço preocupam até as maiores agências espaciais. Os satélites que passam periodicamente pela AMAS, ficam expostos às fortes radiações. A Estação Espacial Internacional, que abriga astronautas dentro, necessitou de um revestimento especial para lidar com o problema. O Telescópio Espacial Hubble é desligado e não faz observações enquanto está passando por esse ponto da órbita terrestre.

Em 2016, o satélite japonês Hitomi novíssimo, lançado para estudar buraco negros e aglomerados de galáxias, perdeu contato ao passar pela AMAS. Entrou na anomalia sem estar preparado, seus circuítos entraram em pane e se desintegrou no espaço virando mero lixo espacial.

A AMAS não é estática, ela sofre um deslocamento para a direção oeste e acredita-se que sua origem tenha sido no continente africano. “A anomalia surge na África, causada pela variação de fluxo na interface do manto com o núcleo terrestre existente sob aquele continente”, relata o professor, concluindo que a anomalia “migra na direção Oeste, para a América do Sul, em função da rotação da Terra”.

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.