Planetas

Para onde vão os meteoritos que fazem as crateras de impacto?

Toneladas de material meteorítico caem na Terra todos os anos, e grande parte dessas rochas espaciais, que cruzam o caminho do nosso planeta, é minúscula – algumas do tamanho de um grão de areia. No entanto, em alguns casos mais raros esse material vindo do espaço pode variar de algumas dezenas a centenas de metros de diâmetro. Sendo grande o suficiente, os meteoroides ou asteroides, podem sobreviver a ardente entrada em nossa atmosfera.

Uma única rocha espacial pode entrar na atmosfera terrestre a mais de 100 mil km/h, fazendo com que sua massa original seja desintegrada durante o processo de entrada até chegar ao solo. Ao colidir com a Terra, ou qualquer outro astro, a rocha espacial vai produzir uma cratera que varia muito de tamanho. Era de imaginar, portanto, que o meteoroide ficasse intacto no fundo da cratera produzida por ele mesmo. Mas isso geralmente não acontece. Por quê, afinal?

Para responder essa pergunta, conheceremos a história de Daniel Moreau Barringer, advogado e engenheiro de mineração da Filadélfia. Barringer se perguntou a mesma coisa há 100 anos, a diferença é que ele perdeu a maior parte de sua fortuna e centenas de milhares de dólares em dinheiro de investidores para cavar o ferro meteorítico que, de acordo com ele, tornaria ele e seus investidores muito ricos.

O Daniel Barringer. (Créditos: barringercrater.com)

Barringer foi um dos primeiros a afirmar que a cratera foi o resultado de um impacto de meteorito. A maioria, se não quase todos, dos cientistas mais respeitados da época discordavam dele. Os impactos dos meteoritos não foram dada a devida importância para a geologia do período, embora os meteoros tenham sido observados desde que o homem começou a registrar a história.

A maioria dos cientistas rejeitou a possibilidade de tal cratera, acreditando que todas as formas naturais de terra haviam sido criadas lentamente, ao longo de milhares ou até milhões de anos, em vez de em um único momento catastrófico. E não foi até o século XX que a primeira cratera de impacto foi reconhecida como tal. Barringer, por outro lado, nunca encontrou o ferro meteorítico que ele estava convencido de estar abaixo do solo de sua cratera, embora se calcule que o meteorito original tenha 50 metros e 300.000 toneladas.

No final das contas, a hipótese dele foi aceita pela comunidade científica, mas não antes de sua morte. Além disso, a cratera recebeu seu nome e é conhecida na comunidade científica como Cratera Barringer.

A cratera Barringer. (Créditos: Reprodução)

Então, por que Barringer não descobriu a massa principal do meteorito? Quando o meteorito atingiu a Terra cerca de 50.000 anos atrás, no que é agora o norte do Arizona, estava viajando a uma velocidade de 12 quilômetros por segundo e explodiu com a força de 150 vezes a força da bomba atômica de Hiroshima. A maior parte do meteorito foi derretida pela força do impacto e se espalhou pela paisagem em uma névoa muito fina de ferro fundido. Milhões de toneladas de calcário e arenito foram lançados para fora da cratera, cobrindo o chão em todas as direções com uma manta de rocha quebrada, pulverizada e parcialmente derretida, misturada com fragmentos de ferro meteorítico.

Esse é o mesmo destino da grande maioria dos meteoroides que ousam a bater na atmosfera da Terra – a maioria são vaporizados ou são derretidos deixando pouco da massa da rocha espacial que existia antes de cruzar o caminhos da Terra. As rochas que ainda têm massa suficiente para atingir a Terra, fazem isso com uma força tão fantástica que o próprio impacto vaporiza a maior parte ou toda a massa restante do meteorito e raramente deixa quantidades significativas de substância meteorítica. Geralmente, o que sobra são meteoritos não muito maiores que uma pedrinha. [Quora]

Alexsandro Mota

Nordestino, um grande amante da astronomia e divulgador científico há quase uma década. Sou o criador do projeto Mistérios do Espaço e dedico meu tempo a tornar a astronomia mais acessível.