Cientistas descobrem galáxia com dois anéis estrelares

(Créditos: Ryan Beauchemin).

(Créditos: Ryan Beauchemin).

Os cientistas descobriram um tipo de raro galáxia a cerca de 359 milhões de anos-luz de distância da Terra, com uma estrutura circular única que nunca foi identificada antes.

A galáxia, chamada PGC 1000714, é um exemplo do que é chamado uma galáxia do anel – onde um círculo externo de jovens estrelas rodeia um núcleo galáctico mais antigo.

A inspeção mais próxima da PGC 1000714 revela que seu núcleo está realmente no meio de não apenas um, mas de dois desses anéis estelares, e é a primeira vez que os astrônomos encontraram o fenômeno.

Os tipos mais comuns de galáxias que conhecemos são em forma de disco, com estrelas espalhadas ou em uma formação espiral como a Via Láctea, ou em forma elíptica.

Mas existem outros tipos de galáxias irregulares, incluindo galáxias anelares – cujo exemplo mais famoso é o chamado “Objeto de Hoag” (imagem abaixo), descoberto pelo astrônomo Arthur Hoag, em 1950.

Objeto de Hoag. (Créditos: R. Lucas (STScI/AURA)/Hubble Heritage Team/NASA).

Objeto de Hoag. (Créditos: R. Lucas (STScI/AURA)/Hubble Heritage Team/NASA).

Ao contrário das galáxias em forma de disco em que as estrelas são geralmente espalhadas e dispersas, as estrelas das galáxias anelares são divididas em dois campos distintos: um anel de jovens estrelas azuis que brilham muito no exterior, e menos estrelas luminosas no centro.

Quando os pesquisadores que encontraram a PGC 1000714 perceberam que a galáxia apresentou dois desses anéis estrelares, eles sabiam que tinham algo muito especial em suas mãos.

Era como detectar um leopardo de neve ou algum outro animal raro e indescritível.“, disse o astrofísico Patrick Treuthardt, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, para a CNN.

Uma galáxia do tipo Hoag, uma com um único anel circular que rodeia um núcleo redondo, já é muito rara, mas encontrar um com potencialmente dois anéis muito regulares é bastante raro.

Treuthardt e outros pesquisadores analisaram a PGC 1000714 usando o Observatório de Las Campanas, no Chile, e descobriram que o anel externo de estrelas azuis tem apenas cerca de 0,13 bilhões de anos, enquanto o núcleo vermelho interno é muito mais antigo, com aproximadamente 5,5 bilhões anos.

(Créditos: Ryan Beauchemin).

(Créditos: Ryan Beauchemin).

Durante a investigação, os pesquisadores encontraram evidências de um anel secundário de estrelas dentro do anel externo de estrelas azuis jovens. Após uma análise mais detalhada, esta estrutura secundária é o que Treuthardt chama de “um anel interno vermelho difuso mais antigo“, o que significa que as estrelas nele são muito mais antigas do que as estrelas mais jovens. E não parece haver nada conectando esses dois anéis.

Uma estimativa afirma que as galáxias do tipo Hoag podem representar 0,1 por cento das galáxias observáveis, e pode ser muito menor do que isso.“, diz Treuthardt. “Seria mais provável que você recebesse quatro cartas de um tipo em uma mão de poker de cinco cartas. Essa galáxia pode ser única.”, conclui.

Os pesquisadores especulam que a PGC 1000714 pode ter se reunido através de forças gravitacionais ao longo de pelo menos dois períodos de tempo distintos – embora seja difícil saber com certeza.

As diferentes cores do anel interno e do externo sugerem que esta galáxia experimentou dois períodos de formação diferentes.“, explica um membro da equipe, Burcin Mutlu-Pakdil, da Universidade de Minnesota Duluth, em um comunicado.

A partir desses inícios únicos no tempo, é impossível saber como os anéis desta galáxia particular foram formados.

A equipe acha que é possível que o anel exterior tenha incorporado porções de uma galáxia rica em gás que uma vez existiu nas proximidades.

Mas também não está claro quanto tempo esses anéis duram – e se eles não mantêm sua formação por muito tempo, isso poderia explicar por que as galáxias anulares são tão raras em termos de observações humanas, sugere Treuthardt.

Quanto à determinação de como o anel interior mais velho chegou lá, os cientistas dizem que precisamos de mais dados para chegar ao fundo deste acaso cósmico.

As descobertas foram anunciadas na Royal Astronomical Society. [ScienceAlert].

Sou baiano, tenho 16 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet, com ênfase na astronomia e cosmologia.

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